20 de agosto de 2016

[Resenha] Marcados




Autor: Sergio Napp
Editora: Penalux
Ano: 2016
Páginas: 164

Livro cedido em parceria com a editora



O livro nos conta a história de um Secretário de Estado que quer se tornar Governador e que, para isso, é capaz de tudo, inclusive se envolver com o crime e com pessoas de péssima índole, além de "dever favores" a aproveitadores em geral.


O livro foi publicado com o nome de "Jogo de circunstâncias", em 1993. Em meados do ano passado, Sergio Napp veio a falecer, mas antes, editou a obra, tendo-a deixado para publicação póstuma, lançada esse ano. 

Temos 3 personagens principais, que se revezam na narrativa em primeira pessoa: Fábio, Joffre e Daniel. Tal forma de escrita foi muito criticada quando do lançamento do original, "Jogo de circunstâncias" e eu senti que, caso o leitor não preste bastante atenção, é fácil se perder na leitura.


"Graúdo, mas não presta.  Sabe que sua presença me irrita e que sua ausência me inquieta. E prossegue em sua calma faina. Diverte-se ao julgar que eu seja um fantoche e estivesse pronto a cair em suas mãos."


Uma mulher morre e tudo leva a crer que foi assassinada. Quando as suspeitas começam a recair em pessoas importantes, estas tentam "dar um jeito" de a cena parecer normal. Nesses momentos, o leitor convive com a total frieza de alguns personagens, a ponto de dar um nó no estômago.



"Quem sabe o assassino, se é que houve tal, estivesse buscando uma informação, digamos assim, algo que ele desejasse saber de uma forma ou de outra."



Além de toda a problemática de corrupção, mistérios, morte e todas as perversões morais, o leitor descobre que um dos personagens, para conseguir a confiança do Secretário (e as benesses de um bom cargo junto a ele), se submete a todo tipo de envolvimento sexual e afetivo.



"Me arrumo e desço. Resolvo caminhar um pouco, a manhã está bonita. Olho ao redor, tudo parece em paz na Independência com seus edifícios, palmeiras e o movimento intenso. A desordem, carrego-a dentro de mim, e não sei a forma de hospeda-la. Necessito conselhos."



Pesquisei sobre o livro e encontrei uma matéria que revela que, na época do lançamento do título original, muito se falou sobre quem seria o Secretário em torno de quem gira a história, mas o autor explicou que o livro se passa fora do Brasil e se trata de uma obra totalmente ficcional.

De qualquer forma, acredito que os desvios morais e jurídicos, a ânsia pelo poder a qualquer preço, a ambição dos personagens e outros pontos podem perfeitamente ser encaixados em nosso país que, infelizmente, é repleto de políticos e pessoas que têm a coisa pública como sua e tiram muita vantagem disso.

É difícil contar sobre o livro sem dar spoiller, por isso tentei ter o máximo de cautela possível ao escrever essa resenha. Se você gosta de um thriller que traz uma grande crítica política, além de uma reflexão moral sobre a vida pública e a vida pessoal, o livro é mais que recomendado. Só senti falta de um final digno a toda a narrativa, mas não se preocupe: o autor indica como tudo terminará.









12 comentários:

  1. Olá Karça, tudo bem?
    Não é o tipo de livro que me chama a atenção, não gosto muito essas coisas de estado, governadores e crimes, mas é sempre bom ter novas experiencias literárias. Contudo, dica anotada, quem sabe um dia eu não venha a ler ele. Adorei sua resenha e a capa do livro também é muito chamativa, gostei!
    Abraços,

    garotareading.blogspot.com.br

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  2. Oie, tudo bom?
    Nossa o livro foi publicado originalmente 93, mas traduz tão bem os dias de hoje não é? Impressionante o que o 'poder' não faz com as pessoas, elas se auto destroem. Devo dizer que ultimamente os thrillers vem ganhando a minha atenção, mas como política não é meu forte fico meio inclinada nesta questão. Adorei a resenha, mas confesso que fiquei curiosa, com os fatos que você citou. Quem sabe eu não de uma chance?

    Bjux ;)
    http://entrelinhasalways.blogspot.com.br/

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  3. Você conseguiu ser bem cautelosa ao falar a respeito do livro. Também me sinto assim as vezes ao fazer alguma resenha, as vezes acaba escapando ou a resenha não tem sentido sem spoiler hahaha. O livro parece ser bom, mas não sei se o leria... O pessoal tem essa mania de ficar comparando personagens fictícios com pessoas reais, e bem que o autor poderia ter feito isso, não é?

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  4. Olá!
    Esse é um tema que com certeza não me interessa. Já li outro livro que envolvia situações com políticos e não me prendeu em nada. Vendo esses quotes que você citou, o autor parece trazer uma escrita um tanto quanto rebuscada pra mim. Mas pode ficar tranquila pois você conseguiu fazer a resenha sem dar spoilers .
    Beijo

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  5. Hummm, então quer dizer que a coincidência com a atualidade brasileira é apenas uma coincidência? Ok né, mas o povo tem a mente fértil... hehe.

    Bj, Van - Retrô Books
    http://balaiodelivros.blogspot.com.br/

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  6. Oii Karla, como vai?
    Menina confesso que tenho uma paixão devastadora pela Penalux e essa obra me encantou de certo modo, vou anotar nos desejados e solicitar <3
    Beijinhos

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  7. Achei muito legal essa trama cheia de brigas pelo poder, que envolve política e mistério na dose certa. Vou procurar saber mais sobre o livro, do qual nunca ouvi falar.

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  8. Li a palavra thriller e já me interessei. Adoro! Eu não conhecia a obra, e muito menos sabia que tinha sido lançada inicialmente com outro nome, que legal saber! Eu gostei bastante da trama, com certeza é um livro que vai entrar para os desejados.
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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  9. Que livro!!
    E qualquer semelhança é pura coincidência...
    Ótima resenha.

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  10. Oi karla, sua linda, tudo bem?
    Mesmo que o autor tenha afirmado que a obra foi ficcional, infelizmente os acontecimentos do livro traduzem nossa realidade. Achei triste ver o personagem fazer de tudo por ambição. Parece ser uma obra bem forte. Confesso que não me atraiu muito, mas para quem gosta é uma boa dica.
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  11. sacanagem o autor ter falecido. acho que nem um autor morre de verdade!!! acho que eles se misturam as palavras e se pregam as folhas pra que toda vez que alguém abrir ele renasça outra vez,é um jeito de se eternizar ,apesar de achar também que a verdadeira intenção de quem escreve é apenas de não ouvir sua própria voz e mesmo assim gritar o que pensa ,ou simplesmente ,e sobretudo no meu caso ;mandar uma letra.

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