15 de novembro de 2016

[Resenha] Mulheres de Cinzas


MULHERES DE CINZAS 
TRILOGIA AS AREIAS DO IMPERADOR #1
Autor: Mia Couto
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2015
Páginas: 344


Sinopse: Primeiro livro da trilogia As areias do Imperador, Mulheres de cinzas é um romance histórico sobre a época em que o sul de Moçambique era governado por Ngungunyane, o último grande líder do Estado de Gaza. Em fins do século XIX, o sargento português Germano de Melo foi enviado ao vilarejo de Nkokolani para participar da batalha contra o imperador que ameaçava o domínio colonial. Lá, ele encontra Imani, uma garota local de quinze anos que lhe servirá de intérprete. Enquanto um dos irmãos da menina lutava pela coroa de Portugal, o outro se uniu aos guerreiros tribais. Aos poucos, Germano e Imani se envolvem, apesar de todas as diferenças entre seus mundos. Porém, num país assombrado pela guerra dos homens, a única saída para uma mulher é passar desapercebida, como se fosse feita de sombras ou de cinzas.





Mulheres de Cinzas é o primeiro livro da trilogia “As Areias do Imperador”, do autor africano Mia Couto. A história se passa no final do século XIX, momento em que Moçambique passava por uma guerra entre soldados portugueses e Ngungunyane, o último dos líderes do Estado de Gaza, que se tornou um mito em seu país.

No livro temos dois pontos de vistas, o de Imani que dá voz ao povo local e o de Germano Melo, como oficial que foi enviado ao vilarejo de Nkokolani para participar da batalha contra o imperador que ameaçava o domínio imperial. 


“A nossa terra estava a ser abocanhada. Sem estrelas para alimentar os nossos sonhos, nós aprendíamos a ser pobres. E nos perdíamos da eternidade. Sabendo que a eternidade é apenas o outro nome da Vida.”


Imani é uma garota moçambicana de 15 anos da tribo VaChopi, por ter sido formada por padres possui um português correto e uma escrita perfeita. Isso faz com que Imani seja a intérprete de Germano e assim uma amizade cresce entre eles.

Imani apesar da pouca idade não é uma garota comum, é forte, inteligente e de uma personalidade marcante.



Cinza, como é chamada por sua mãe, tem dois irmãos completamente diferentes. O mais velho foi lutar com os guerreiros tribais e o mais novo sonhava em ir para Portugal e trabalhar com o sargento.


“E é assim desde o nascer do Tempo: apenas a Vida nos defende do viver.”


Por outro lado temos o Sargento Germano que chega ao vilarejo de Imani e ganha a simpatia de muitos, por ter atitudes diferentes dos outros portugueses.

Os capítulos são alternados entre Imani e as cartas do Sargento Germano para o seu superior em Portugal.

Com isso Mia Couto desenvolve uma das melhores tramas que já tive a oportunidade de ler. O aprofundamento histórico é maravilhoso, o leitor viaja em uma história africana exposta com muita realidade.

 A cultura da região é bem trabalhada e explorada, crenças, mitos e o cotidiano local é descrito com maestria pelo autor.


“A diferença entre a Guerra e a Paz é a seguinte: na Guerra, os pobres são os primeiros a serem mortos; na Paz, os pobres são os primeiros a morrer. Para nós, mulheres, há ainda uma outra diferença: na Guerra, passamos a ser violadas por quem não conhecemos.”


Sou um pouco suspeita para falar de Mia Couto, admiro muito sua escrita. Tão singular e poética! Seus personagens muito bem construídos e reais afloram nossos sentimentos.



A diagramação é perfeita, com páginas amarelas e as letras em um tamanho ótimo. A capa é linda, com uma textura que parece emborrachada. Excelente trabalho da editora.

Mulheres de Cinzas é uma leitura para ser vivida e refletida. Indico a todos! E àqueles que ainda não leram nada de Mia, aventurem-se nesse mundo!




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7 comentários:

  1. Já ouvi falar muito do autor, mas nunca li nada dele. Bem, ainda não. Pretendo resolver isso tão logo tenha chance. Obrigada pela dica!

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  2. Oi!
    já puvi muitos elogios ao autor mas ainda não tive a oportunidade de ler nada dele. Achei a premissa da trama muito interessante e gostei muito dos temas abordados pelo autor e da ambientação escolhida, principalmente por eu conhecer pouquíssimos livros que tenham a África como cenário. Uma bela dica, com certeza.
    Beijos!
    Por Livros Incríveis

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  3. Oiee.
    Tudo bem?
    Assim como você eu adoro a escrita da Mia tive contato com algumas obras, textos dela e sempre me surpreendo não conhecia esse livro adorei saber das suas impressões eu tenho um carinho especial por livros ambientados na Africa e já esta maiis do que anotado.
    bju
    Mary Reis

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  4. Oii Fernanda, tudo bem? Gostei muito da resenha. Eu já li alguns contos do autor e gostei do estilo dele, mas não me arrisquei em outras obras. Mulheres de Cinzas tem uma premissa muito interessante e já anotei sua dica!!
    Beijos

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  5. Estava passeando pelos livros no skoob e me peguei pensando no motivo de nunca ter lido nada de Mia Couto.. Sua resenha me deixou curiosa e querendo iniciar a leitura - com a esperança de ficar tão encantada como você com o autor.
    Se bem que quando a escrita é poética e somada a personagens bem construidos, não tem como não gostar, né? E a premissa deixa tudo ainda mais interessante.
    Está na lista!!!!
    Beijinhos,
    Lica
    Amores e Livros

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  6. Olá,
    Muito interessante a história, já me cativou pela sinopse! É muito raro vermos livros voltados à África, seja à sua cultura ou ao seu cenário, muito importante termos/lermos mais livros passados lá!

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  7. Estou querendo muito ler essa trilogia. Ainda não li Mulheres de cinzas, mas pretendo ler este e logo em seguida o segundo volume, que já foi publicado, o Sombras da água. Adorei a sua resenha, deixou-me ainda mais interessada pelo livro. :)

    Tatiana

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