18 de fevereiro de 2017

Um pouquinho de Adélia Prado



POEMA ESQUISITO

"Dói-me a cabeça aos trinta e nove anos.
Não é hábito. É rarissimamente que ela dói.
Ninguém tem culpa.
Meu pai, minha mãe descansaram seus fardos,
não existe mais o modo
de eles terem seus olhos sobre mim.
Mãe, ô mãe, ô pai, meu pai. Onde estão escondidos?
É dentro de mim que eles estão.
Não fiz mausoléu pra eles, pus os dois no chão.
Nasceu lá, porque quis, um pé de saudade roxa,
que abunda nos cemitérios.
Quem plantou foi o vento, a água da chuva.
Quem vai matar é o sol.
Passou finados não fui lá, aniversário também não.
Pra que, se para chorar qualquer lugar me cabe?
É de tanto lembrá-los que eu não vou.
Ôôôô pai
Ôôôô mãe
Dentro de mim eles respondem
tenazes e duros,
porque o zelo do espírito é sem meiguices:
Ôôôôi fia."






Adélia Luzia Prado de Freitas, mais conhecida como Adélia Prado, nasceu em 1935 e é poetisa, professora, filósofa e contista brasileira ligada ao Modernismo.
Sua escrita retrata o cotidiano com perfeição, perplexidade e encanto. Norteada pela fé cristã e pelo aspecto lúdico e poético, sua poesia tem leitura fácil, a ponto de conquistar mesmo os leitores não habituais desse estilo.
Alguns de seus livros de poesia chamam a atenção da crítica, tais como: Bagagem, escrito em 1975, O Pelicano, de 1987 e A duração do dia, datado de 2010, entre outros.




3 comentários:

  1. Eu adoro essa autora, parabenizo o blog por homenageá-la!

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  2. Adorei essa coluna do blog! Gosto de posts diferentes e aqui tenho visto muito disso. Parabéns para a equipe.

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  3. Oii
    Não conhecia a autora. Adorei o poema! =)

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