17 de abril de 2017

[Resenha] O Ceifador


O CEIFADOR - SCYTHE VOL. 1
Autor: Neal Shusterman
Editora: Seguinte
Ano: 2017
Páginas: 448

Livro em parceria com a Editora
Sinopse: A humanidade venceu todas as barreiras: fome, doenças, guerras, miséria... Até mesmo a morte. Agora os ceifadores são os únicos que podem pôr fim a uma vida, impedindo que o crescimento populacional vá além do limite e a Terra deixe de comportar a população por toda a eternidade. Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de ceifador - papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a arte da coleta, ou seja, precisam aprender a matar. Porém, se falharem em sua missão ou se a cumplicidade no treinamento se tornar algo mais, podem colocar a própria vida em risco.




O Ceifador, lançamento da Editora Seguinte desse mês, detonou todo meu alicerce literário. Sei que ainda estamos no começo do ano, mas de longe a melhor leitura que realizei até então.

Esqueça tudo que sabe sobre a humanidade dos tempos atuais e embarque em um mundo governado por uma inteligência artificial denominada Nimbo-Cúmulo.

Estamos na Era da Imortalidade, não há doenças, pobreza, injustiças: todos possuem as mesmas oportunidades, comida e conforto. E mais, ninguém morre, pois a morte também foi vencida. 

Pessoas não envelhecem, elas podem rejuvenescer de tempos em tempos para a idade que desejarem e se, por acaso, sofrem ou mesmo se submetem a um acidente fatal, são revividas em centros especializados para isso.


No que concernia à raça humana, não havia mais o que aprender. Nada a decifrar sobre a nossa existência. O que significava que nenhuma pessoa era mais importante do que qualquer outra. Na verdade, no esquema geral das coisas, todos era igualmente inúteis."

Mas, como nem tudo é perfeito, a população começa a crescer cada vez mais, causando os efeitos de uma super lotação. Com o intuito de conter esse problema surgem os Ceifadores, uma organização treinada e com permissão para "coletar" pessoas. 

Para ser um ceifador é preciso abdicar de tudo, de sua vida antiga, sua família, bens materiais e se dedicar aos propósitos da Ceifa. É necessário cumprir uma cota de coletas, escolher aleatoriamente "os coletados", sem discriminação, seguir e respeitar os dez mandamentos de um ceifador.

Vamos acompanhar a trajetória de Citra Terranova e Rowan Damisch, ambos escolhidos pelo renomado Ceifador Faraday, como aprendizes de ceifadores. 

Apesar dos dois não terem nenhum interesse na função, acabam aceitando o convite e partem para o treinamento.


"O caráter sagrado da lei... e o bom senso de saber quando ela deve ser quebrada."

Mas, novamente, como nem tudo é perfeito, mesmo com tudo organizado e com as leis, a imoralidade permanece até mesmo entre os ceifadores e cabe a cada um deles saber até onde seguir todos os mandamentos da Ceifa, ou mesmo, seguir seus próprios caminhos, sejam qual for.

Ceifadores são respeitosos e devem ter compaixão dentro da sua função, mas será que são todos assim?

O mundo criado pelo autor é fascinante! E quando comecei a leitura não pensei o quanto iria me conectar nela. 

É curioso perceber que algumas coisas, mesmo em um mundo tão diferente e quase que perfeito, não mudam. As pessoas não possuem mais o medo da morte natural, mas temem ser coletadas, por isso, tratam os ceifadores como celebridades, ou seja, isso acaba criando certa vaidade em alguns.


"Não era de admirar que as pessoas fizessem de tudo para agradar os ceifadores. A esperança diante do medo é a motivação mais forte do mundo."

A Nimbo-Cúmulo cuida da humanidade como uma mãe; não há nada que ela não saiba, porém, como não pode intervir na Ceifa, intrigas, desonestidade e jogos políticos passam a ocorrer no meio. Semelhanças com nosso mundo atual são bem perceptíveis.

A distopia é muito bem construída e alucinante, com personagens incríveis. Não só Citra e Rowan te conquista, como o próprio ceifador Faraday, a ceifadora Curie e tantos outros, que você vai amar ou odiar.

Narrado em terceira pessoa, temos ainda, ao começo de cada capítulo uma parte dos diários de alguns ceifadores, achei o máximo isso, deu pra sentir um pouco mais do que é ser um ceifador e a diferença entre cada um deles.


"O mais desejo para a humanidade não é a paz, o consolo ou a alegria. É que ainda morramos um pouco por dentro toda vez que testemunhemos a morte de outra pessoa. Pois só a dor da empatia nos manterá humanos. Nenhum Deus vai poder nos ajudar se algum dia perdemos isso."

O autor proporciona uma leitura dinâmica, eletrizante, cheia de reviravoltas e muitos acontecimentos. Eu fiquei viciada!!! Não dá pra chegar ao fim e não pensar no que vem depois.

Recomendo muito para os fãs de distopias, essa vai entrar para as favoritas!! E para aqueles que não curtem muito, também recomendo, aventurem-se, podem acabar fisgados!




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2 comentários:

  1. Uau, Fê!!

    Que maravilha de resenha!!! Quero ler. Já adicionei ao Skoob.

    Beijos

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  2. Adoro distopias!
    Já li livro do autor e adorei. Imagino o quanto esse deve ser bom também.
    Sua resenha me deixou mais ansiosa ainda.

    bjks

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