28 de abril de 2017

[Resenha] Para Educar Crianças Feministas


PARA EDUCAR CRIANÇAS FEMINISTAS: UM MANIFESTO
Autra: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017
Páginas: 94

Livro cedido em parceria com a Editora

Sinopse: "Após o enorme sucesso de Sejamos todos feministas, Chimamanda Ngozi Adichie retoma o tema da igualdade de gêneros neste manifesto com quinze sugestões de como criar filhos dentro de uma perspectiva feminista. Escrito no formato de uma carta da autora a uma amiga que acaba de se tornar mãe de uma menina, Para educar crianças feministas traz conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, o que se inicia pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. E é por isso que este breve manifesto pode ser lido igualmente por homens e mulheres, pais de meninas e meninos. Partindo de sua experiência pessoal para mostrar o longo caminho que ainda temos a percorrer, Adichie oferece uma leitura essencial para quem deseja preparar seus filhos para o mundo contemporâneo e contribuir para uma sociedade mais justa.”





Olá! A resenha de hoje é sobre o livro “Para educar crianças feministas: um manifesto”, da autora Chimamanda Ngozi Adichie, cedido pela editora Companhia das Letras, parceira do blog.

Para começar, quero falar sobre o título. Antes de ler o livro, acompanhei algumas polêmicas em outros blogs e comentários em páginas em redes sociais, nas quais questionavam o uso de “crianças” e não “meninas” no título da obra. Isso faria sentido se considerasse que o texto é uma adaptação de carta escrita pela autora a uma amiga que se tornou mãe recentemente e queria conselhos para educar sua filha. Entretanto, lendo o livro, fica claro que as 15 sugestões são perfeitamente aplicáveis a meninos e meninas.



Em vez de simplesmente falar, mostre-lhe com exemplos que a misoginia pode ser explícita e que a misoginia pode ser sutil, e que as duas são abomináveis.

Adichie utiliza duas ferramentas para construir seu pensamento feminista: 1) eu tenho valor e 2) se uma situação teria os mesmos resultados se aplicada a homens e mulheres. Fala com simplicidade sobre atitudes e discursos a serem evitados para não enraizar a misoginia na educação de crianças. 



Não é simples! Por exemplo: quem nunca ouviu ou falou que uma roupa era indecente, ou que uma mulher estava vestida como uma prostituta? Para a autora, o ideal é dizer que a roupa é feia, que não veste bem etc., mas jamais colocar em questão a moralidade de quem a veste.

Ao lhe ensinar sobre opressão, tenha o cuidado de não converter os oprimidos em santos. A santidade não é pré-requisito da dignidade.

Outro ponto central é a importância que se dá ao casamento ao educar meninas, gerando uma enorme disparidade no modo como homens e mulheres comprometem-se em um relacionamento.



Assim, muitas mulheres estão em relacionamentos longos e querem se casar, mas precisam “esperar” que os homens tomem a iniciativa – e muitas vezes essa espera se torna uma encenação, às vezes inconsciente, às vezes não, de seus méritos para se casar.

A autora questiona também o que denomina Feminismo Leve. Nele as mulheres dependem da condescendência masculina para fazerem o que desejam, ou seja, mulheres podem fazer o que quiserem, desde que seus maridos permitam. É, também, a visão de que homens devem ser enaltecidos quando “ajudam suas esposas” no cuidado com a casa e com os filhos.



A linguagem é suave, mas a mensagem forte: homens e mulheres devem ocupar o mesmo espaço e dividir responsabilidades em um relacionamento, para não criar ressentimentos.



Não precisa ser uma divisão literalmente meio a meio, ou um dia você, um dia ele, mas você vai saber se estão dividindo igualmente. Vai saber por não se sentir ressentida. Porque quando há igualdade não existe ressentimento.

São muitas ideias em torno do fato de que crianças devem ser educadas pelo exemplo e pelo cuidado com o uso de palavras e expressões que indiquem desigualdades entre gêneros. Cada proposição vem acompanhada de situações diárias em que homens/meninos e mulheres/meninas são expostos às extremamente comuns desigualdade de oportunidades.

Esse é um livro para ser lido, compartilhado, comentado, discutido e utilizado como referência por pais, futuros pais, professores etc.



Assim, em vez disso, o que desejo a Chizalum é o seguinte: que ela seja cheia de opiniões, e que suas opiniões provenham de uma base bem informada, humana e de uma mente aberta.

Não é algo a desejar a todas as crianças?

Beijos e até a próxima!




10 comentários:

  1. Ficou legal a resenha, bem escrita, faltando um pouquinho de doideira. rs

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    1. Sempre falta doideira, rsrs. E aquelas aulas de escrita maluca?

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  2. Não conhecia o livro. Gostei da resenha focando nos pontos principais. O que deve mudar é a mentalidade das pessoas que ainda criam os filhos no modelo patriarcal, sem igualdade de direitos e deveres. Vejo muito isso. Bjs doces.

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    1. Além disso, Cláudia, a ideia é construir ums sociedade que desde a base possibilite que as crianças cresçam e desfrutem de toda a sua potencialidade.
      Obrigada pela visita!

      Beijos

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  3. Que dica maravilhosaaaa!
    Obrigada por essa resenha esclarecedora e tão válida <3 Vou procurar!

    Beijos

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    1. Obrigada prla visita, Camila! Esse livro é maravilhoso!!

      Beijos

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  4. Acho que seria algo não apenas para crianças, mas tb para mts adultos que andam com a cabeça na idade da pedra ainda... O que vejo de gente que fala besteira por aí não é brincadeira, e ainda as que se dizem "feministas", mas falam tanta asneira que me custa a acreditar que levantem tal bandeira... Vou até procurar esse livro... =)
    Bjks!

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  5. Nossa, adorei, Betinha!! Depois dessa resenha percebi que tenho que ler logo porque achei muito interessante mesmo. O livro todo parece abordar pontos importantes e que às vezes a gente nem se toca no dia-a-dia por estar tão intrínseco na nossa mente. Quem dera mais pessoas, não apenas crianças, pudessem ler e aprender também ♥ A resenha está ótima! Amei saber a sua opinião :)
    Beijão

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  6. Excelente resenha, Betinha! Parabéns!

    Clécia

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  7. Essa autora é sempre fantástica! Amei a capa do livro e a sua resenha super objetiva, que não esqueceu nenhum ponto do livro! Nossa sociedade realmente precisa de homens e mulheres que se engajem pela igualdade de gêneros, então, nada melhor que educar as crianças nesse sentido. Beijos.

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