29 de maio de 2017

[Resenha] Proibido




Autora: Tabitha Suzuma
Editora: Valentina
Ano: 2014
Páginas: 304


Antes de iniciar a resenha, é importante esclarecer que não tenho, em momento algum, o objetivo de julgar os personagens por seus atos, nem pelas consequências que sofreram pelas decisões que tomaram. Quero apenas relatar o que se passa nesse livro tão pesado, polêmico e cheio de significados.

O livro narra a história de Lochan e Maya, dois irmãos adolescentes que, ao verem sua família desmoronar, assumem as rédeas da casa e se veem responsáveis pelos irmãos mais novos, o que os transformam em verdadeiros pais daquelas crianças.

O pai dos adolescentes abandona a família e se muda para outro país com sua nova esposa e a mãe, revoltada, não consegue absorver o que se passa e começa a ter um comportamento absolutamente negligente com relação aos filhos (e à vida de modo geral).

Sobre os pais, apenas comento que senti raiva de ambos em toda a história, pois simplesmente se esqueceram de que haviam construído uma família e foram viver cada um a sua vida.

Lochan, dezessete anos, tem um bom senso incrível nas decisões relativas aos irmãos. Ele não sai de casa pra se divertir, está envolvido apenas nos programas que podem fazer seus irmãos se sentirem bem ou não sentirem tanto a falta dos pais, atitudes típicas de um pai de família.

Com Maya não é muito diferente. Ela tem dezesseis anos e a mesma abnegação do irmão. Tenta administrar a casa que agora não tem nenhum adulto e várias crianças que precisam dos cuidados mais básicos de saúde, alimentação e higiene e, principalmente, de atenção e carinho.



"Meus irmãos podem me deixar doido às vezes, mas são meu sangue. São tudo que já conheci. Minha família sou eu. É a minha vida. Sem eles, eu caminho pelo planeta sozinho."


O livro tem diversas passagens muito pesadas, não há como esconder os dramas familiares que temos na história e as marcas que a vida deixou em cada uma das pessoas que fazem parte dela.

No meio de tudo isso, a autora consegue deixar o leitor boquiaberto quando trata com extrema leveza uma relação incestuosa que surge entre Lochan e Maya, o que traz à tona a frase da capa do livro, "Como uma coisa tão errada pode parecer tão certa?".



"Ná há leis e nem limites para os sentimentos. A gente pode se amar tanto e tão profundamente quanto quisermos. Ninguém, Maya, ningué poderá nunca tirar isso de nós."


Para mim, a relação entre eles se confunde na cabeça de ambos quando se perdem totalmente dos papéis de filhos-irmãos para se tornarem pais daquela família já tão machucada pela vida.

A história se desenvolve cheia de altos e baixos, tanto na parte do livro que trata dos sentimentos entre os dois quanto na parte que trata da relação dos mesmos com os irmãos mais novos, na escola, na vizinhança e ao mundo em geral.

Muito drama e profundidade enchem cada página e o leitor fica cheio de dúvidas todo o tempo. Será que, em outras circunstâncias, eles teria chegado ao ponto de se envolverem?



"Você pode fechar os olhos para as coisas que não quer ver, mas não pode fechar o coração para as coisas que não quer sentir."


O final do livro é um ponto de conflito entre os leitores, alguns realmente acharam que foi o final correto. Outros acharam que foi absurdo, que o livro não merecia terminar assim. Eu vou deixar em aberto, posso dizer apenas que, por mim, os personagens mereciam outros destinos. Apesar disso, me conformei e entendo os motivos da autora.

Não dá vontade de largar a leitura, que mexe com nossos sentimentos de maneira ímpar. Há tempos não lia um livro tão forte! 

Recomendo a quem curte um drama com uma história super complexa capaz de bagunçar totalmente o coração do leitor e de despi-lo de julgamentos em nome de um amor lindo que é proibido.








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2 comentários:

  1. Olá!
    Eu amei esse livro, um dos melhores que já li!
    Eu também acho que os personagens mereciam outro final, mas acabei curtindo o que fora colocado porque me surpreendeu bastante.

    Beijão
    Leitora Cretina

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  2. Acredita que não tive coragem para ler esse livro? Me falaram tanto sobre essa relação incestuosa que fiquei com medo de não conseguir finalizar a leitura. Depois da sua resenha, fiquei curiosa, vou colocar na minha lista e ver se tomo coragem.
    Bj

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