1 de junho de 2017

[Resenha] Me diga quem eu sou


ME DIGA QUEM EU SOU 
Uma bipolar em busca da sanidade
Autora: Helena Gayer
Editora: Objetiva
Ano: 2017
Páginas: 120

Livro cedido em parceria com a editora


Sinopse: Como num grito de alerta, Helena Gayer transmite as nuanças de uma pessoa apunhalada pelo transtorno bipolar. Com crueza, minúcia e fervor, a autora narra seus mergulhos ora em depressão ora em mania e as muitas experiências por que passou, correndo risco de morte e abusos. Ao se abrir e descrever com detalhes as inúmeras tentativas de ter uma vida normal, os episódios de completa alienação e as internações, ela deixa escapar, a cada linha, um pedido tênue, uma súplica fugaz, para que tenhamos um olhar mais apurado em direção à pessoa, não só à doença. Helena nos apresenta um relato íntimo sobre como é viver, sobreviver e constantemente se rearranjar nessa realidade tão dura e tantas vezes negligenciada. Diagnosticada aos 21 anos, ela remove e nos mostra cada estilhaço de sua trajetória, enquanto seguimos com ela numa jornada de dor e descoberta, mas, acima de tudo, de superação.


Olá, pessoal!

Hoje venho contar a vocês um pouquinho do que senti sobre a leitura de "Me diga quem eu sou", livro recebido em parceria com a Editora Companhia das Letras, pelo selo Objetiva.

Um livro que me encantou desde a sinopse, mas garanto que a leitura foi algo muito mais intenso do que pude prever naquelas poucas linhas

No livro, a autora nos conta a história de sua própria vida. Temos contato não apenas com a parte técnica, médica e psicológica de um bipolar, mas com todos os detalhes e sentimentos de alguém que vive na pele todos os problemas e dificuldades do transtorno.



Ao falar sobre o livro, é importante explicar que o transtorno bipolar se caracteriza, principalmente, por grandes oscilações de humor, onde, em um momento, a pessoa está ótima, feliz e sorridente e, um tempo depois, se encontra extremamente depressiva, irritada e triste.

A autora nos revela que vive sua vida sempre sem saber exatamente de que lado está, até que uma próxima crise lhe atinge, com resultados normalmente catastróficos.

Já nas primeiras páginas, Helena narra que, aos 19 anos, ao entrar na faculdade de oceanografia, teve acesso ao livro "Do jardim do Éden à era de Aquarius" que, segundo ela, mudou tudo em sua vida.

Dois anos mais tarde, já cursando Jornalismo, Helena viajou com uma vizinha para um acampamento em Florianópolis e, em meio a uma situação que parecia absolutamente favorável para desfrutar o local maravilhoso, as ideias do livro supracitado lhe voltaram à mente.


"De qualquer forma, ela ouviu meus desatinos sem protestar e me livrou da loucura, pois qualquer forma de troca é o avesso da solidão."


A partir de então, Helena se viu em uma crise de mania, em que ela perdeu os limites e, alucinada, se sentindo como uma "enviada" de mente superior, na era de Aquarius, entrou na casa de outra pessoa, trocou suas roupas pelas da dona da casa e saiu, como se morasse mesmo ali.



Depois de outros episódios similares, de se machucar sem sequer saber como, de ser agressiva com as pessoas que estavam à sua volta, sua família foi chamada e foi internada em uma clínica de reabilitação.

Os detalhes sobre os medicamentos e seus efeitos, dos direitos e deveres dos pacientes, das amizades com outros internos da clínica e dos profissionais de saúde que lhe cuidavam também foram passados com muita fidelidade, o que me causou aperto no estômago e, em alguns momentos, lágrimas.


"Anos de depressão me ensinaram que a capacidade de expressar o que se sente é um exercício de amor-próprio e não pode ser contido, mas sim lapidado."


No decorrer do livro temos a descrição de vários dos seus surtos e das internações que lhe aconteciam de maneira frequente, sem que ela pudesse ter total controle da sua mente.

Helena alterna os capítulos com histórias que variam ao longo do tempo, ou seja, algumas vivências de seu passado vêm à tona não necessariamente em uma ordem cronológica.

Em certo capítulo, o leitor tem a informação de que a angústia que a teria levado mais tarde ao transtorno, se iniciou porque jamais sua mente conseguiu absorver a separação de seus pais. Ao pensar sobre isso, a autora se acha diferente de suas irmãs que, apesar do ocorrido, conseguiram seguir normalmente com suas vidas.

Narrado em primeira pessoa, o livro de Helena é o que chamo de mergulho em uma piscina desconhecida, onde a mente humana é muito bem explorada através do que acontece com o paciente, seus anseios, medos, dificuldades e, claro, suas conquistas que podem parecer pequenas, mas são grandes saltos rumo à tão sonhada sanidade.


"A grande aventura foi primeiro conhecer a mim mesma, e depois buscar aceitar os outros e nunca alimentar a ilusão de ser compreendida."


Achei lindíssima a capa, que demonstra muito bem o que a autora passa no livro. Não encontrei erros de edição nas páginas amareladas, que facilitam e tornam confortável a leitura.

Mais que recomendo o livro a quem gosta de conhecer os caminhos tortuosos por onde passam as pessoas com algum transtorno mental.



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11 comentários:

  1. Karlinha, amei a resenha! Estou com esse livro na lista, pois adoro histórias que abordem temas assim. Um outro que gostei demais e que é semelhante se chama Não sou uma só diário de uma bipolar. Dá pra gente sentir mesmo essa oscilação que por ser tão discrepantes leva a pessoa a extremos emocionais e físicos.

    Beijo

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  2. Que livro interessante!!! Adoro leituras assim, e amei sua resenha... Acho incrível essas histórias que falam de doenças mentais, super coloquei na lista e vou ler ele o mais rápido possível.

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  3. Adorei a sua resenha e já estou ansiosa pela leitura. Amo livros que tratam sobre distúrbios da mente humana, mas confesso que os considero bem pesados de se ler.
    Bj

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  4. Nossa, não conhecia o livro, mas agora estou louca para ler.
    Que me recordo, nunca li nenhum livro que tratasse do transtorno bipolar, por mais que me interesse muito sobre o tema. Já vou adicionar o livro a minha lista de leituras.
    Eu gostei muito da capa também! Parece que mostra essa dualidade que a autora e personagem tem que enfrentar.
    Gostei da resenha :)

    Abraços

    http://ultimasfolhasdooutono.blogspot.com.br/

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  5. Oie!
    Ainda não conhecia o livro, mas fiquei bem interessada.
    COnfesso que conheço pouco sobre o transtorno, e acredito que será uma leitura bem intensa. Adorei a sua dica de leitura, com certeza será uma das minhas próximas leituras.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

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  6. Olá
    Gostei bastante da sua resenha. Não conhecia o livro e me interessei.
    por ser um relato da própria vida da autora, parece ser bem mais convincente . Dica anotada.
    Bjs

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  7. Olá ♥
    Não conhecia o livro, mas tenho que confessar que me chamou muita atenção, li um livro que mexeu muito comigo que se chama DANÇANDO SOBRE CACOS DE VIDRO onde o personagem principal tinha Bipolaridade Cronica e pude companhar um pouco da doença através desse livro. A premissa desse livro me chamou muita atenção pelo contexto em geral então com toda certeza quero fazer a leitura, muito obrigada pela dica !

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  8. Olá! Acho importante livros bem escritos sobre bipolaridade. Porque, por mais que seja dito, há quem brinque com isso ou menospreze como "chilique", o que é insensível e afeta ainda mais o quadro de quem sofre com o problema. Não sei se é algo que eu leria, mas admiro o valor na autora compartilhar a experiência e parabenizo a você por escrever sobre ele! Abraços!

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  9. Nossa o livro parece ser bem bom mesmo... EU leio muito sobre transtornos mentais, mas nunca peguei um livro assim, escrito pela própria pessoa para ler. Gostei bastante da tua resenha e me interessei para conhecer o livro. Espero gostar tanto quanto vc da leitura :)

    Raíssa Nantes

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  10. Olá! A capa é um pouco angustiante. Deve ser uma leitura muito interessante, mostrar um história sob o ponto de vista de alguém com esse transtorno. Com certeza uma leitura enriquecedora. Beijos!

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  11. Olá,

    Adorei sick-lit, sempre estou de olho em algum. Não tinha ouvido falar nesse, mas achei a premissa incrível, o único livro que li sobre bipolaridade era ficção, por isso fiquei interessada nesse, porque se trata de alguém que existe, que tem que lidar com as mudanças que a doença tem. Dica anotada!

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