4 de dezembro de 2017

[Resenha] Não vai acontecer aqui


NÃO VAI ACONTECER AQUI
Autor: Sinclair Lewis
Editora: Alfaguara
Ano: 2017
Páginas: 408

Livro cedido em parceria com a editora


Sinopse: Um homem vaidoso, falastrão, anti-imigrantes e demagogo concorre à presidência dos Estados Unidos — e ganha. Buzz Windrip promete aos eleitores americanos que fará o país próspero e grande novamente, mas acaba trilhando um caminho sombrio. Ele declara o Congresso obsoleto, reescreve a Constituição e desencadeia uma onda fascista no país. O novo regime se torna cada vez mais autoritário, e o jornalista Doremus Jessop pensa que logo o presidente será derrubado, mas quanto tempo é possível esperar? Escrito em 1935, "Não vai acontecer aqui" não poderia ser mais atual. Recuperado pela crítica e pelo público após as últimas eleições presidenciais dos Estados Unidos, o livro de Sinclair Lewis discute a fragilidade da democracia e o espectro fascista que ronda todo regime livre. Um livro de extrema força visionária, que mostra a maestria de Sinclair Lewis em construir uma fábula sobre como a complacência liberal pode se tornar vítima da tirania.




Olá! Hoje estou trazendo as minhas impressões sobre o livro “Não vai acontecer aqui”, de Sinclair Lewis.

Durante a Crise de 1929 e em tempos de eleições presidenciais, surge um candidato com uma plataforma um tanto insólita: redução de poderes do Congresso, extinção da maior parte dos sindicatos (exceto aqueles que se sujeitem ao governo), perda de direitos para judeus, negros e mulheres e reconhecimento financeiro para heróis militares. Seria obviamente rechaçada por qualquer pessoa com um mínimo de bom senso, certo? Errado! O candidato Buzz Windrip tem também algumas promessas sobre aumento de recursos anuais para toda família branca e aí tudo começa a ficar perigoso. Em meio à Grande Depressão, com uma enorme onda de desemprego, a promessa de uma renda anual de cinco mil dólares (talvez dez), além do apoio do venerável orador bispo Prang (e sua multidão de seguidores), o que parece assustador passa a ser visto por muitos como a única chance de melhorar a vida da população. 




O personagem principal Doremus Jessup convive com uma família bastante peculiar: a esposa fútil e desinteressada, a filha mais velha que só vive para o filho e para o marido (até certo ponto), o filho dogmático e a caçula atrevida e moderna. É em torno de suas experiências que a história se desenrola, com cada personagem crescendo ou se enterrando ainda mais no fanatismo.

A tirania dessa ditadura não é primordialmente culpa do Mundo dos Negócios, tampouco dos demagogos que fazem seu trabalho sujo. É culpa de Doremus Jessup! De todos os conscienciosos, respeitáveis, mentalmente indolentes Doremus Jessups da vida que permitiram aos demagogos se imiscuir no poder sem protestar com suficiente veemência. 

A linguagem do livro parece muito atual. Se não tivesse sido escrito em 1935, eu diria que o autor se apoiou muito no atual cenário político americano. Desenha um candidato capaz de convencer as pessoas com promessas, bastante carisma, uma boa dose e humor e aparente simplicidade. Ele chega a uma população cansada e pouco informada, disposta a tudo para resgatar os velhos e “bons tempos”. Existe, ainda, a crença de que ele seja inofensivo e bem intencionado, apesar de parecer “um pouquinho” radical.

A senhora Jessup disse alegremente, “Ora, Dormouse, esse bispo não tem nada de fascista - é o Radical Vermelho de praxe. Mas essa proclamação dele significa alguma coisa, de fato? 

Para dar o último tempero à história, dias antes da eleição surge um grupo de jovens seguidores uniformizados e treinados, que garantem a segurança dos apoiadores de Windrip. Eles andam pelas ruas e repelem manifestações contrárias o então candidato a presidente.

E esses Minute Men, seus seguidores – ah, foi bem torpe o que eu que vi na rua, mas, mesmo assim, a maioria deles é muito educada, uns rapazes de boa estampa. Ver Buzz e depois escutar o que ele tem a dizer de verdade causa uma certa surpresa - meio que faz o sujeito pensar! 

Assusta bastante ver a evolução dos Minute Men, a tirania crescente de Buzz e de seus representantes e o medo das pessoas. Faz pensar que a instauração de uma ditadura depende apenas de um sujeito carismático e com “boas intenções” e pessoas dispostas a abdicarem de direitos essenciais para terem pequena melhora de vida. Nessa história, aliás, essa melhora nunca chegava.

A cada semana o governo se pronunciava menos sobre as descobertas da junta de investigação que decidiria como os cinco mil dólares por pessoa podiam ser arranjados. Passou a ser mais fácil responder aos descontentes com o tabefe de um Minute Man do que com as respectivas declarações de Washington. 

O livro foi um pouco difícil de ler. Cansativo em alguns pontos pela contínua explicação dos planos e cenários políticos, e aparente pouco desenvolvimento da ação. Só na segunda metade percebi a importância de toda essa contextualização e, só não dei ao livro nota maior, porque acredito que a primeira parte poderia ter sido um pouco mais sucinta. 



Recomendo uma leitura com calma e muita reflexão. Se a experiência não for suficiente, que mais livros assim nos ajudem a compreender o perigo da instauração de governos ditatoriais.

Beijos 😃


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8 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. O livro parece muito interessante e a resenha foi bem escrita. Não sou muito fã de livros com cenário político, especialmente agora vivendo o cenário que temos no Brasil, acho cansativo e os detalhes fazem com que desanime na leitura. Porém, olhando pelo lado literário de trazer um tema desse tipo à tona, acho muito legal que tentem atingir todos os públicos.

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  3. Olá, esse livro traz uma temática super interessante, é quase assustador ver como o que foi descrito num livro de décadas atrás possa ser considerado tão atual. Pena que a primeira parte não lhe agradou tanto.

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  4. Olá,
    Realmente livros políticos tem essa dificuldade, se o autor não consegue transmitir a história de um jeito mais simples o leitor acaba perdendo o foco mesmo.
    Li poucos livros de politicas, mas os poucos foram bons, gostei de conhecer a história desse.

    Debyh
    Eu Insisto

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  5. Oi Betinha!
    Não conhecia o livro, e confesso que apesar de parecer bem interessante, política não é um assunto que me atrai muito, e só por isso vou deixar passar essa dica. Mas fico feliz que o livro seja bom, mais um exemplar para quem curte o tema.

    Beijokas

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  6. Oi, Betinha!
    A capa é tão atual que não imaginava que tinha sido escrito em 1935. rsrs...
    Uma pena a leitura ser cansativa e também não parece o livro que me interessaria. :/
    Ainda assim, obrigada pela dica!
    Beijão!
    http://www.lagarota.com.br/
    http://www.asmeninasqueleemlivros.com/

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  7. Oi, Betinha!
    A capa é tão atual que não imaginava que tinha sido escrito em 1935. rsrs...
    Uma pena a leitura ser cansativa e também não parece o livro que me interessaria. :/
    Ainda assim, obrigada pela dica!
    Beijão!
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    http://www.asmeninasqueleemlivros.com/

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  8. Oi Betinha, como está?
    Adoro a proposta desse livro e acredito que deveria ser leitura obrigatória para muita gente, pois gente FDP como esse candidato nasce exatamente do meio de gente insatisfeita com a própria vida e que deseja, se me perdoa a palavra, fuder legal com a dos outros. Esse livro não é exatamente um manual, mas serve para detectar gente mal intencionada.
    Abraços e beijos da Lady Trotsky...
    http://rillismo.blogspot.com
    http://osvampirosportenhos.blogspot.com

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