31 de janeiro de 2018

[Resenha] Histórias Extraordinárias


HISTÓRIAS EXTRAORDINÁRIAS
Autor: Edgar Allan Poe
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017
Páginas: 448

Livro cedido em parceria com a editora
SinopseA edição ilustrada inclui textos de Charles Baudelaire, Jorge Luis Borges e Julio Cortázar, que reverenciam o estilo hipnotizante do escritor mais sombrio de todos os tempos.
Histórias extraordinárias reúne dezoito contos assombrosos de Edgar Allan Poe, com seleção, apresentação e tradução do poeta José Paulo Paes. Este livro traz, entre outras obras-primas do mestre do suspense e do mistério, “A carta roubada”, “O gato preto”, “O escaravelho de ouro”, “O poço e o pêndulo” e “O homem da multidão”.
O caráter macabro das histórias, dotadas de profundidade psicológica e imersas em uma atmosfera eletrizante, continua a conquistar novos leitores e a afirmar sua condição de clássico. Nas palavras de Paes, “Poe sempre consegue […] provocar-nos aquele arrepio de morte ou aquela impressão de vida que, em literatura, constituem o melhor, senão o único, passaporte para a imortalidade”.




Mestre na criação de textos que vão da ficção científica ao macabro, Edgar Allan Poe, nessa reunião de contos, nos dá a possibilidade e o privilégio de conhecê-lo em sua essência. 

Os contos nos trazem as fobias, patologias mentais, os vícios e outras degenerações humanas, sejam elas involuntárias ou por opção, lá estão tais quadros permeando o imaginário do escritor, dando consistência ou dúvidas sobre os fatos narrados. 



Claro que não poderia aqui descrever cada conto da reunião em questão, mas cito alguns que já devem, satisfatoriamente, ilustrar o caráter de suas obras.

Em “Berenice”, o narrador Egeu, um homem introvertido perdido em devaneios vê sua atenção ser tomada por Berenice, uma jovem bela e vivaz com quem convive. Com o passar do tempo, Berenice, sempre tão radiante, é acometida por uma misteriosa doença que a faz definhar. Egeu em suas obsessões e observações passa a notar que na jovem apenas restam-lhe os dentes como testemunha de sua pretérita formosura, e razão do fascínio desmedido do narrador.

Em “Ligeia” o narrador se vê em agonia por sempre estar incompleto. Casa-se com Ligeia, amor de sua vida, mas não sente a reciprocidade de sentimento. Ligeia morre e ele casa-se de novo, porém continua refém dos sentimentos pela falecida, já que não encontra na atual o que lhe atraia na anterior.

Já no conto “Pequena Palestra com Uma Múmia”, Poe parece fazer uma crítica a um período muito racionalista, com a ciência respondendo a tudo. Neste caso trata-se de um grupo de estudiosos renomados que obtêm autorização para realizar a autópsia de uma múmia, que durante o procedimento volta à vida e passa a discutir que seria mais hábil no campo da realizações da humanidade. Isso gerou uma guerra de vaidades em as partes. 



Claro que nessa três breves citações dos contos não é possível revelar os pontos mais incisivos das histórias, visto que eu lhes retiraria a surpresa maior. Mas devo dizer que Edgar Allan Poe não economiza na dose de terror e morbidez, e serve um prato requintado aos fãs desse gênero; às vezes nos confunde no tocante a lucidez do narrador, se este realmente vivera a história ou se deixou levar, aos recônditos mais obscuros da mente, por conta do entorpecimento.

No mais, sempre vale a pena conhecer os textos de alguém que iniciou ou revolucionou o gênero de seu tempo. Este é Edgar Allan Poe, preciso, contestador e, acima de tudo, seguro da literatura que desejava fazer.




26 de janeiro de 2018

[Resenha] Sobre o tempo

SOBRE O TEMPO
Autora: Talita Correia
Editora: Amazon
Ano: 2017
Páginas: 331

E-book em parceria com a autora


Sinopse: Se você olhar no dicionário a palavra tempo tem diversos significados.
Um dia que passou. 
Um ano. 
Uma vida. 
Mas tempo também significa a oportunidade de mudar uma situação, e na vida de Alice Werner é essa definição que funciona. Já passou do tempo dela voltar para casa e fazer as pazes com o passado, de entender as escolhas que fez e as consequências de cada uma delas. Alice passou boa parte da sua vida lamentando o passado. A mãe que morreu cedo demais, as escolhas que fez, o descaso do pai e agora ao perder a avó, a pessoa que foi seu farol nos momentos mais escuros, Alice descobre que precisa ter forças para entrar em uma guerra contra o próprio pai, mas o destino reserva muito mais para Alice do que acertar as contas com o homem que lhe virou as costas quando mais precisou, chegou o momento de dizer que o seu passado não vai mais determinar quem ela será, para Alice chegou o tempo de mudar. Chegou o tempo de se perdoar!
Mas para Mateus, o tempo perdido perseguindo um sonho que deu errado o deixou marcado. Há muito tempo, Mateus decidiu que viver pelos filhos e um dia de cada vez era o melhor caminho, ele viu o tempo passar a cada conquista dos seus filhos, foi pai, foi mãe, foi filho e foi e sempre vai ser um homem que vai lutar pela sua família em primeiro lugar, com dois adolescentes precisando cada vez mais dele, algumas dívidas que ainda precisavam ser pagas e uma ex mulher que não se importa em visitar os filhos, a última coisa que ele precisa é entrar na briga de outra pessoa, especialmente contra um homem rico e poderoso como Roberto Werner, mas quando Mateus encontra Alice na estrada, sozinha, perdida, machucada, quebrada e irresistivelmente linda, ele não vê outra opção além de ajudar.
Há quem diga que o tempo cura tudo, mas será o tempo, e o amor, capaz de curar as feridas e marcas que eles carregam? Do que você abriria mão para defender a quem você ama?
Sobre o Tempo é a primeira parte na duologia Tempo, nele vamos conhecer Mateus e Alice, cuja história será finalizada em Tempo Perdido.




Sobre o tempo é o primeiro volume da série Tempo, de autoria de Talita Correia.

Outros dois livros dessa autora super talentosa já foram resenhados aqui no blog: Louca Combinação Novamente atraídosambos da Série Solares.

'Sobre o tempo' nos conta a história de Alice, uma jovem que perdeu a mãe muito cedo e sofreu demais pelas atitudes de seu pai por toda a sua vida. Tendo perdido também a avó, que cuidou dela após a morte da mãe, quando esta também se vai, sua vida é pura dor e sofrimento.


A avó de Alice deixa para ela uma carta com tudo o que ela precisava saber de verdade sobre sua família, suas posses e sua herança e é então que ela descobre que poderá reaver de seu pai o que era seu por direito. Bens a que ele jamais dera a chance de Alice usufruir, além de não ter lhe dado atenção, carinho e cuidado de pai.






Para lutar pelo que tem direito, Alice não tem outra saída que não seja retornar ao interior e conversar com seu pai. No caminho, após uma situação inusitada, conhece Mateus, outro jovem também machucado pelo tempo e por decepções amorosas que vieram de pessoas de quem ele jamais esperava.


Mateus foi casado e teve dois filhos com uma mulher extremamente interesseira e irresponsável, cuja vida se resumia a obedecer aos desmandos de sua mãe e de seu padrasto, Roberto Werner, em troca de migalhas de atenção e de dinheiro.

Mateus e Alice inevitavelmente se aproximam mais do que deveriam para serem apenas bons amigos e, assim, temos o início de um lindo romance que se desvenda de maneira leve e gostosa.

Ocorre que Alice é filha de Roberto Werner e ele não vai medir esforços para acabar com esse romance que mal havia começado. Para piorar as coisas, Mateus descobre algo no passado de Alice que é totalmente contrário a seus princípios e tudo o que sempre lutou na vida. Isso balança o relacionamento deles.

"Se eu tivesse um pai assim, será que as minhas escolhas teriam sido diferentes?"

A partir daí, o livro se desenvolve cheio de chantagens, problemas e situações mal resolvidas entre várias pessoas da trama. Cheios de incertezas, os personagens demonstram os melhores e os piores sentimentos e isso faz com que o leitor os conheça mais profundamente.


É claro que, entre todos esses acontecimentos, há muito romance e cenas eróticas que foram colocadas pela autora de forma sutil, como nos outros livros dela.

"Depois da briga, o clima azedou, as crianças ficaram assustadas e a Alice não falava nada, ao contrário do bicho do ciúme que morava na minha cabeça que não se calava..."

Até que, em dado momento, uma nova desconfiança faz os corações de Mateus e Alice se encherem de alegria novamente. Dessa vez, eles se unem para descobrir que, na verdade, seus destinos já estavam selados muito antes de se encontrarem durante a viagem de Alice para o interior.

Gostei bastante da construção dos personagens, mas 2 deles me tocaram, em especial: Miguel, o filho mais jovem de Mateus, com sua ingenuidade de criança e Antônio, o amigo de Alice, pessoa de singular lealdade, que a apoiou a todo momento.

"Tomei a boca de Alice em um beijo lento e intenso, suas mãos foram até os meus cabelos e começaram a empurrar minha cabeça em direção à dela, me prendendo junto a si..."

A narração é feita pelos dois personagens principais (Alice e Mateus) em primeira pessoa, o que, a meu ver, facilita bastante o entendimento das personalidades de ambos os personagens.

Outro ponto alto do livro é a indicação de playlist que a autora faz. Em tempos de super valorização da cultura estrangeira, Talita realmente foi muito original ao escolher apenas músicas brasileiras para comporem essa lista que eu babei antes mesmo de começar a leitura!

Recomendo a quem curte um bom romance, repleto de cenas carinhosas e outras bem quentes!



22 de janeiro de 2018

[Resenha] A glória e seu cortejo de horrores


A GLÓRIA E SEU CORTEJO DE HORRORES
Autora: Fernanda Torres
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017
Páginas: 216

Livro cedido em parceria com a editora


Sinopse: A glória e seu cortejo de horrores, novo romance de Fernanda Torres, autora de Fim, acompanha as desventuras de Mario Cardoso, um ator de meia idade, dos dias de sucesso como astro de telenovela até a total derrocada quando decide encenar uma versão de Rei Lear – e as coisas não saem exatamente como esperava. Mescla eletrizante de comédia de erros e retrato do artista, o livro atravessa diversas fases da carreira de Mario (e da história recente do Brasil), suas lembranças de juventude no teatro político, a incursão pelo Cinema Novo dos anos 60, a efervescência hippie do Verão do Desbunde, o encontro com o teatro de Tchékhov, a glória como um dos atores mais famosos de uma época em que a televisão dava as cartas no país. Um painel corrosivo de uma geração que viu sua ideia de arte sucumbir ao mercado, à superficialidade do mundo hiperconectado e, sobretudo, à derrocada de suas próprias ilusões.





Olá! Hoje vou escrever um pouco sobre o livro “A glória e seu cortejo de horrores”, da autora Fernanda Torres.

Fernanda iniciou sua carreira pública como atriz e, depois de receber diversos prêmios por seus papéis no cinema, teatro e televisão, publicou “Fim”, seu primeiro livro, em 2013. Foi por meio dele que tive o primeiro contato com sua obra literária, há dois anos. “Fim” não me surpreendeu, mas “A glória e seu cortejo de horrores” é uma obra excelente, cativante e profunda.



Nesse livro, acompanhamos Mário Cardoso de 60 e poucos anos vivendo uma crise em sua carreira, iniciada pelo fiasco de da peça Rei Lear. Mário escolheu essa peça para marcar seu retorno ao teatro depois de anos atuando em novelas. Financiada pela Lei Rouanet, a apresentação era um show de bizarrices conduzido pelo diretor Stein.


A velha crítica do principal jornal carioca consumou a tragédia. Estudiosa de Shakespeare, a dama de ferro ganhava a vida assistindo aos Tem bububu no bobobó dos palcos brasileiros. Capaz de perdoar comédias rasas, era acometida de uma agressividade cruel quando escrevia sobre aqueles que, como eu, se dispunham a enfrentar o cânone. Ela abria com meu epitáfio, e terminava a resenha culpando as leis de incentivo à cultura, por permitirem que uma infelicidade daquela chegasse às vias de fato.

Quando decide encerrar as apresentações, o ator tem que pagar as contas, cobrir o prejuízo da peça, enfrentar o ódio de alguns membros do elenco e lidar com seu contador, desaparecido desde que as prestações de contas de Rei Lear não foram aprovadas pelo Ministério da Cultura. A cereja do bolo é o conhecimento dos recentes problemas de saúde de sua mãe.


Na altura do Jardim Botânico, minha mãe se aprumou no assento, olhou para a rua apreensiva e virou-se para mim. Perguntou quem pegaria o filho na escola. Que filho?, respondi. Como, que filho? ela disse, o nosso. Um frio gelou-me o coração, uma sensação de abandono ameaçadora. (...) Mãe, argumentei, o seu filho sou eu.




A partir de então, são apresentados fatos do passado que mostram Mário desde os primeiros trabalhos no teatro, com viés político, os primeiros elogios ao encenar Tchékhov, a parceria com a atriz Raquel, seu projeto de interpretar Riobaldo, de Grande Sertão: Veredas e, finalmente, a transição para as novelas.


Quando comecei no teatro, éramos todos de esquerda, adoradores de Brecht, Górki e Arrabal. Dinheiro era sinônimo de desvio de caráter. Mas o mundo mudou e meus amigos duros se transformaram em párias de trattoria, vestidos de bermuda e chinelo, sem plano de saúde, carro ou perspectivas futuras. Enfrentei a frieza deles, mas tive uma colheita farta.


Mário questiona suas escolhas e caminhos percorridos como ator, as consequências de sua ida para a televisão e os desvios que o conduziram para o momento atual.


Enquanto esperava minha mãe sair do banheiro, duvidei se, em algum momento, eu havia alcançado, de fato, a essência da minha profissão.

Terminei o livro com a impressão de que deveria conhecer melhor os escritos de Shaskepeare, para ter uma experiência mais profunda com esse livro, por isso quero a opinião de leitores que conheçam Rei Lear e Macbeth. Há relação entre as trajetórias dos personagens principais dessas obras?

Deixo vocês com esse grande livro como última recomendação de leitura e me despeço do blog, de seus autores e leitores, agradecendo pela recepção, carinho e oportunidade, além de todas as experiências que essa parceria proporcionou. Espero que nos encontremos por aí, nesse maravilhoso mundo da literatura.

Beijos :)




21 de janeiro de 2018

Livros & Esmaltes - Férias




Olá, leitores queridos!


Hoje é dia da nossa coluna "Livros & Esmaltes", em parceria com o blogs MãeLiteratura e Mundinho da Hanna.


Esse ano estaremos com um novo formato, a postagem será feita no terceiro domingo de cada mês e terá um tema.

Para o mês de janeiro o escolhido foi Férias - cintilante/brilho.

Vamos às nossas escolhas da vez?





Minhas Escolhas: "O esmalte é o mini saia, da Risqué. Ele é metalizado e eu gostei do resultado, ficou bem do jeito que eu queria.

E o livro é A Vaca e o Hipogrifo, de Mario Quintana. Uma leitura super gostosa."








Escolhas da Karla "O esmalte é o Ardente, da Panvel. Ótima cobertura. Na filha única, usei o Fantasy da Cherimoya, que tem uma cor bem vibrante.
O livro é Mapas do Acaso, de Humberto Gessinger. Acompanho seu trabalho na música desde sempre e a leitura foi realmente deliciosa."



E aí? Gostaram das nossas escolhas? Já conheciam algum dos livros?

Para quem quiser participar, segue abaixo o cronograma semestral do projeto. Bastar enviar um e-mail com a foto do livro e do esmalte para: pacoteliterario@gmail.com




Nada melhor que juntar nossas paixões e mostrar aos amigos e leitores!

Ficaremos felizes com a sua participação!!

E não deixem de passar nos blogs parceiros: 



Até a próxima!




18 de janeiro de 2018

Um pouquinho de Manuel Bandeira



Belo Belo

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo – que foi? passou – de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.
- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.


Escritor, poeta, crítico literário e de arte, tradutor e professor de literatura, Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho, ou simplesmente Manuel Bandeira, é um dos maiores ícones da literatura brasileira.


17 de janeiro de 2018

[Resenha] Cosmos


COSMOS
Autor: Carl Sagan
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017
Páginas: 487

Livro cedido em parceria com a editora


SinopseEscrito por um dos maiores divulgadores de ciência do século XX, Cosmos retraça 14 bilhões de anos de evolução cósmica, explorando tópicos como a origem da vida, o cérebro humano, hieróglifos egípcios, missões espaciais, a morte do sol, a evolução das galáxias e as forças e indivíduos que ajudaram a moldar a ciência moderna. Numa prosa transparente, Carl Sagan revela os segredos do planeta azul habitado por uma forma de vida que apenas começa a descobrir sua própria identidade e a se aventurar no vasto oceano do espaço sideral. Aqui, o tratamento dos temas científicos está sempre imbricado com outros campos de estudo tradicionais, como história, antropologia, arte e filosofia. Publicado pela primeira vez em 1980, Cosmos reúne alguns dos conhecimentos mais avançados da época sobre a natureza, a vida e o Universo — e se mantém até hoje como uma das mais importantes obras de divulgação científica da história. Embora diversas descobertas fascinantes tenham ocorrido nos últimos quarenta anos, o tema central deste livro nunca estará desatualizado: nosso fascínio pelo conhecimento e a prática da ciência como atividade cultural.




Carl Sagan (1934-1996) foi um astrofísico pioneiro na empreitada de divulgar as mais diversas informações científicas para um amplo público. Através da roteirização de uma série TV em 13 episódios, e também de um livro no mesmo formato, o cientista pôde, e ainda assim o faz, difundir amplamente conceitos, constatações e hipóteses sobre a criação do universo, seu desenvolvimento e como funciona hoje.



Foi grande minha satisfação por receber um exemplar dessa inestimável obra, pela Companhia das Letras, e acredito que todos aqueles que têm em si uma grande curiosidade sobre a ciência e a vida ficarão fascinados com os textos desse livro.

Não é sobre uma ciência puramente racional de que o autor trata, levando-se em conta até mesmo um pensamento de dedução religiosa em consideração. Carl Sagan enxerga valores em todas as formas de pensamento, já que tudo exige observação e dedução.

Sua viagem parte das reflexões sobre a origem de tudo, e logo de cara ele coloca em cheque todo comportamento preconceituoso e discriminatório, ao deixar bem claro que somos feitos da mesma matéria: gelo e poeira. Tudo que há nesse imenso e inexplorado universo, provém dessa mesma combinação, que sob influências diversas evolui de maneiras diferentes.

Às vezes chega a ser assustador os fatos que nos são apresentados, como, por exemplo, o modo como Eratóstenes, 200 a.C foi capaz de medir a circunferência da Terra. Tudo é tão antigo, mas tão novo para nossas mentes carentes das obras dos grandes pensadores científicos. Eles tinham pouquíssimas ferramentas, mas se superavam pela vontade de descobrir sempre um pouco mais sobre nossa casa, o chão em que pisamos e o céu que nos cobre.

Carl Sagan discorre sobre as teorias, a vida desses notáveis cientistas e o desenvolvimento dos sistemas e métodos. Os erros e acertos fazem parte da caminhada e constroem a história da humanidade; tudo que temos hoje, mesmo quando não fazemos a mínima ideia de como surgiu, custou a curiosidade e o trabalho de cada um desses notáveis.




A primeira edição de Cosmos foi publicada em 1980, e desde então alguns conceitos mudaram. Mas essa nova edição tratou de revisar as mais relevantes alterações através de notas. Há que dizer que a essência de tudo continua a mesma, por isso a obra permanece indispensável a todos que querem enxergar além, pois nos ensina a observar mais todos os elementos ao nosso redor.

Nosso universo é maravilhoso, e compreendê-lo pode nos permitir preservá-lo. Mas do que nunca, em tempos de mazelas ambientais e sociais, é fundamental ampliar os nossos horizontes, e a ciência pode sim romper barreiras comportamentais danosas à sociedade.



Não há como não recomendar esta obra! Leia e releia, sempre que possível for; este livro pode mudar suas concepções, pois deixa bem claro que a evolução demanda uma mente aberta e o trabalho árduo. E a recompensa do conhecimento não tem preço.





16 de janeiro de 2018

[Resenha] Dias de Despedida


DIAS DE DESPEDIDA
Autor: Jeff Zentner
Editora: Seguinte
Ano: 2017
Páginas: 392

Livro cedido em parceria com a editora


Sinopse"Cadê vocês? Me respondam."
Essa foi a última mensagem que Carver mandou para seus melhores amigos, Mars, Eli e Blake. Logo em seguida os três sofreram um acidente de carro fatal. Agora, o garoto não consegue parar de se culpar pelo que aconteceu e, para piorar, um juiz poderoso está empenhado em abrir uma investigação criminal contra ele. Mas Carver tem alguns aliados: a namorada de Eli, sua única amiga na escola; o dr. Mendez, seu terapeuta; e a avó de Blake, que pede a sua ajuda para organizar um “dia de despedida” para compartilharem lembranças do neto. Quando as outras famílias decidem que também querem um dia de despedida, Carver não tem certeza de suas intenções. Será que eles serão capazes de ficar em paz com suas perdas? Ou esses dias de despedida só vão deixar Carver mais perto de um colapso — ou, pior, da prisão?




Simplesmente tocante!!

Dias de Despedida, de Jeff Zentner é uma obra emocionante e bastante sensível, escrita de maneira leve e ao mesmo tempo arrebatadora pelo autor.

O livro acompanha a história de Caver, um garoto que perdeu seus melhores amigos, Eli, Mars e Blake de forma bastante trágica em um acidente de carro. 



Caver não consegue se livrar da dor e do sentimento de culpa em relação ao acidente, pois no momento da tragédia ele havia mandado uma mensagem perguntando aos garotos onde eles estavam e, após o acidente, o celular de Mars é encontrado e tudo indica que ele estava respondendo a Caver.

"...É uma tristeza brutal, disforme, enlouquecida no absurdo dos sonhos. Você acorda e não lembra a razão de estar chorando. Ou lembra e estava chorando porque recebeu uma chance de se redimir."

A história inicia-se com Caver no velório de Blake e nesse momento já podemos sentir o quanto a trama será carregada de momentos tensos e emocionantes.

Caver, além da dor da perda de seus amigos, ainda terá que lidar com  a possibilidade de ser processado e ir preso, pois o pai de Mars, um poderoso juiz, está disposto a fazer de tudo para que isso ocorra.

"Aquela sensação de que você nunca vai ser sozinho de novo.Que, toda vez que falar, alguém que você ama e que ama você estará ouvindo.Mesmo naquele dia eu sabia o valor do que tinha."

O livro é todo narrado em primeira pessoa por Caver, onde  narra os fatos e acontecimentos atuais e em flashbacks, onde relembra os momentos passados com sua turma. Essa parte traz leveza à história, além de partes bastante engraçadas da vida dos amigos.

Vale destacar, entre os personagens, a vovó Betsy, de Blake, Jesmyn, namorada de Eli e ainda, o Dr. Mendez, terapeuta. Esse trio será essencial em todo apoio e suporte a Caver nesse momento difícil de sua vida.



Eu me apaixonei pela vovó Betsy, forte e centrada, é dela a ideia de um "Dia de Despedida", no qual eles passariam um dia em tributo ao seu neto, Blake, um dia dedicado as lembranças felizes. Eu me emocionei muito com essa parte da história.

Outra personagem marcante é a irmã de Caver, que deu total apoio ao irmão. E foi uma das melhores para mim.

A leitura é bastante fluída e o autor soube levantar vários aspectos diante de uma situação como a passada por Caver. Podemos ver os vários ângulos e opiniões das pessoas envolvidas no trágico acidente, além do alerta sobre o uso de celulares enquanto se dirige.

"Ninguém sabe como as pessoas superam as coisas. Elas apenas superam."

Dias de Despedida é uma história tocante sobre luto, amizade e superação, que prende do início ao fim, e você sente como se fizesse parte de tudo.

Com certeza é uma obra que você precisa ler!



15 de janeiro de 2018

[Filme] Extraordinário


Gênero: Drama
Ano: 2017
Elenco: Julia Roberts, Jacob Tremblay, Owen Wilson, Izabela Vidovic


Dirigido por Stephen Chbosky, o filme conta a história de August Pullman, o Auggie, um menino que nasceu com uma síndrome que provoca uma deficiência física na face.

Até uma fase da vida, Auggie estudava em casa, com sua mãe e a trama vem nos contar como foi a transição dos estudos para uma escola, onde, além dos desafios estudantis, teria que enfrentar outro bem maior: lidar com a reação das pessoas ao verem seu rosto.



Inicialmente, o diretor da escola, já preocupado com possíveis manifestações de preconceito, forma uma "equipe de boas vindas" para ajudar Auggie nessa adaptação.

E tudo acontece quando as aulas começam: momentos de muita tristeza e solidão, outros de preconceito e alguns instantes de aceitação, amizade e felicidade.

O filme, de forma extremamente sensível, nos mostra a realidade de uma criança com deficiência, pela visão dela, de como é o mundo, todos os detalhes da convivência em casa e no ambiente escolar.



Não se trata de um filme triste, mas é bem real e demonstra como as crianças, justamente por serem muito ingênuas, podem ser cruéis. Muitas cenas conseguiram me arrancar lágrimas, pelo alto grau de emoção vivido nelas.

Há uma questão bem interessante no filme: é impressionante como os filhos seguem os exemplos dos pais. E isso serve tanto para os bons como para os maus exemplos!

Julia Roberts encena de forma sensacional a mãe de Auggie, com a sensibilidade e o humor de sempre, mais tocante que nunca!

Jacob Tremblay já havia me convencido de seu talento em O quarto de Jack (já indicado aqui no blog). Em Extraordinário, superou todas as minhas expectativas, dando vida ao Auggie do livro com extrema lealdade. Uma criança com um dom maravilhoso para as telonas, tão cedo na profissão certa!

Outro ponto alto do livro que foi transmitido com perfeição para o filme é a abordagem da irmã de Auggie. Os pais faziam o melhor que podiam, mas Liv muitas vezes ficava esquecida por eles, tinha que resolver sozinha os seus problemas e foi obrigada a se tornar emocionalmente independente cedo demais.

A atriz brasileira Sônia Braga, que atualmente tem encenado com perfeição alguns filmes bem dramáticos, tem participação especial na trama, como avó de Auggie e Liv. A rápida, mas lindíssima cena entre avó e neta foi mais uma parte do filme que conseguiu tirar lágrimas dos meus olhos.



O final do filme é, simplesmente, maravilhoso! Inesperadamente, tudo se transforma em algo imensamente lindo, mas palpável, perfeitamente possível de se acontecer com todos nós.

Assim que as letrinhas do cinema começaram a subir, tive uma vontade imensa de comprar ingressos para rever o filme na sessão seguinte, tamanha a emoção em que me encontrava.

“Todo mundo deveria ser aplaudido de pé pelo menos uma vez na vida.” Essa e outras lições que o filme nos deixa são únicas e especiais. Por isso, se você não leu, leia. Se não assistiu, assista! Você não pode deixar de conhecer essa história, que se tornou uma das favoritas em minha vida!





12 de janeiro de 2018

[Desafio 12 meses, 12 cores] Janeiro



Olá, pessoal!


Tudo certo para o final de semana? Espero que sim! 

Hoje vamos começar uma novidade aqui no blog! 

O Pacote Literário juntamente com os blogs MãeLiteratura, da Claudia e o Mundinho da Hanna estará realizando um projeto que consiste em postagens coletivas.

Tais postagens fazem parte de um desafio que consiste em um post por mês durante o ano e cada um terá uma cor como tema.

O mês de janeiro será cinza! Vamos às fotos?


Foto por Fernanda

Foto por Fernanda


Foto por Karla


Foto por Karla

Não deixem de passar nos outros blogs participantes para conferir mais fotos do desafio.


Gostaram do nosso novo projeto? Para participar, é só utilizar a #12mesescoresdl

Segue a tabela para os próximos meses! E prepare-se: em fevereiro a cor/tema é multicolorido.








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