19 de fevereiro de 2019

Indicação: 5 livros para chorar

Olá, leitores queridos!

Hoje venho indicar 5 livros para os que gostam de leituras difíceis, pesadas, emocionantes ou que, por algum outro motivo, me deixaram com lágrimas nos olhos.

Vale lembrar que foram lidos em épocas diferentes da minha vida, mas as impressões ficaram, de forma que tentarei repassa-las a vocês.



Marley e eu


Li há muitos anos sem a menor noção do que aconteceria no final. Me lembro bem de estar em um sítio onde passaria a noite de reveillon, era dia 31 à tardinha e de repente desabei a chorar. Por algum tempo, as pessoas à minha volta não entendiam o que havia acontecido e eu não conseguia explicar.



O melhor de mim

Embora não tenha me causado soluços de choro como o livro anterior, fiquei muito abalada nas últimas páginas dessa história. E, ao entender o que o autor propõe ao final, a crueldade do destino me deprimiu e me encantou ao mesmo tempo. Assim, as lágrimas foram inevitáveis.




Extraordinário

Me emocionei em várias partes do livro:  chorei de tristeza porque retrata a realidade de uma pessoa com deficiência diante da crueldade das crianças. Chorei pelos familiares (sobretudo a irmã) que têm suas necessidades colocadas de lado tantas vezes. Mas o discurso no final do livro é avassalador e reflexivo, então, deixei as lágrimas rolarem soltas.



Dançando sobre cacos de vidro

O livro é lindíssimo, a autora foi de uma sensibilidade incrível! A história retrata uma grande luta pela felicidade o tempo todo e, ao final, quando percebi que a história não terminaria como eu queria, quando vi que nem sempre o otimismo e a vontade podem vencer, eu desabei!






Como eu era antes de você

Esse livro é lindo de tantas maneiras que nem consigo mensurar aqui. O final da história dividiu opiniões entre os leitores. Eu consegui entender as escolhas dos personagens. Mas isso não me blindou de chorar mas chorar muito, principalmente na leitura da carta nas últimas páginas do livro.



E vocês, já leram esses títulos? Gostaram? Me contem nos comentários!









15 de fevereiro de 2019

[Resenha] Quem tem medo do feminismo negro?

QUEM TEM MEDO DO FEMINISMO NEGRO?
Autor(a): Djamila Ribeiro
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2018
Páginas: 152
Classificação: 5/5 (favoritado)

Sinopse: Quem tem medo do feminismo negro? reúne um longo ensaio autobiográfico inédito e uma seleção de artigos publicados por Djamila Ribeiro no blog da revista CartaCapital, entre 2014 e 2017. No texto de abertura, a filósofa e militante recupera memórias de seus anos de infância e adolescência para discutir o que chama de “silenciamento”, processo de apagamento da personalidade por que passou e que é um dos muitos resultados perniciosos da discriminação. Foi apenas no final da adolescência, ao trabalhar na Casa de Cultura da Mulher Negra, que Djamila entrou em contato com autoras que a fizeram ter orgulho de suas raízes e não mais querer se manter invisível. Desde então, o diálogo com autoras como Chimamanda Ngozi Adichie, bell hooks, Sueli Carneiro, Alice Walker, Toni Morrison e Conceição Evaristo é uma constante.
Muitos textos reagem a situações do cotidiano — o aumento da intolerância às religiões de matriz africana; os ataques a celebridades como Maju ou Serena Williams – a partir das quais Djamila destrincha conceitos como empoderamento feminino ou interseccionalidade. Ela também aborda temas como os limites da mobilização nas redes sociais, as políticas de cotas raciais e as origens do feminismo negro nos Estados Unidos e no Brasil, além de discutir a obra de autoras de referência para o feminismo, como Simone de Beauvoir.

Bom dia, queridos leitores!

Hoje venho trazer para vocês as minhas impressões sobre uma leitura mais que especial!

Djamila nos relata trechos de sua vida em que a cor de sua pele foi algo que dificultou seu dia-a-dia, sua convivência em certos lugares, em resumo, seu acesso a oportunidades.

Ao ler esse livro, percebi o quanto precisamos falar em feminismo negro e não apenas em feminismo, tendo em vista que as mulheres negras enfrentam as dificuldades de serem discriminadas por 2 fatores diversos, enquanto mulheres brancas sofrem o machismo mas não sofrem pela sua cor.

 "Quando pequena, eu e meus irmãos não pudemos entrar na festa de uma amiga porque o tio dela não gostava de negros. Ela nos serviu na calçada da casa dela, até que, indignados, fomos embora. Alguma pessoa branca já passou por isso exclusivamente por ser branca?"

Djamila é fantástica em descortinar diversos conceitos e ideias muito importantes e, principalmente, em explicar de onde surgiram os termos.

Nesse sentido, o leitor percebe a necessidade das cotas raciais no Brasil de hoje, tendo em vista os grandes benefícios que os europeus tiveram para recomeçarem a vida no Brasil, tais como a doação de terras para moradia e exploração. Enquanto isso, os negros trazidos na mesma época (é claro que à força, com resistência), vieram para serem escravos e só depois de mais de 300 anos se tornaram livres.

Porém, muitas vezes não percebemos que "livre" quer dizer apenas sem amarras e correntes, sem serem obrigados a serviços forçados. Mas quantos deles (ex-escravos e seus descendentes) tiveram algum auxílio para terem acesso a oportunidades de vida e sequer de sobrevivência?

Essa é uma das muitas reflexões propostas pela autora e, após a leitura, é impossível não compreender a defesa das cotas raciais nas universidades por exemplo. Quando se fala em dívida histórica, não é porque "os negros querem assim", mas porque realmente existiram condutas históricas que retiraram dos negros as oportunidades e as retiram até hoje.

"De volta a Beauvoir: precisamos discutir a partir da experiência vivida, da concretude. Enquanto persistirem as desigualdades e as imposições de papéis sociais, não será possível considerar nenhuma mulher moderna, por mais que ela tenha o último modelo de smartphone, produzido dentro da lógica capitalista de exploração. E o mesmo acontece se acreditarmos que o progresso está ligado à manutenção de desigualdades para o benefício de um grupo social."

A autora ainda nos coloca em contato com trechos da obra de Simone de Beauvoir e outras grandes escritoras da causa feminista. Depois desse livro, acrescentei pelo menos mais 10 obras de extrema importância em minha lista de leitura.

Seja em situações de sua própria vida, problemas da sociedade como um todo, através da explicação da história e de várias outras formas, Djamila nos conduz facilmente ao entendimento através de exemplos. Muitos deles, milhões de "detalhes" que tornam mais difícil a vida das mulheres em geral, das pessoas negras e, é claro, da mulher negra.

Quando diminuem a Maju (garota do tempo do Jornal Nacional) ou a Serena Willians (campeã "de tudo" no Tênis Feminino), atingem diretamente todas as negras que só querem ter seu lugar respeitado.

A autora cita como exemplo o emblemático caso do goleiro da seleção Moacir Barbosa, na Copa de 50. A ele foi atribuída a culpa pelos gols que a seleção brasileira levou naquele jogo contra o Uruguai e ele ficou marcado, foi crucificado pela mídia e, a partir de então, "coincidentemente", a seleção ficou mais de 50 anos sem ter outro goleiro negro.

 "Quando uma pessoa de um grupo historicamente discriminado erra, todo o grupo leva a culpa. No caso de Barbosa, criou-se o mito de que negros não servem para goleiro. E, por exemplo, se uma mulher bandeirinha erra num lance, a primeira coisa que vão dizer é: "mulher não serve para trabalhar com futebol", "deveria estar lavando louça". Se um árbitro homem erra, ninguém diz que homem não serve para trabalhar com futebol - culpa-se o indivíduo, e não o grupo."

Eu mesma, que amo futebol, já fui obrigada a ouvir (não sem revolta) diversas vezes frases machistas sobre bandeirinhas mulheres, o que acho de um desrespeito e de uma ignorância sem tamanho! Cansei de ter minha opinião sequer ouvida em grupos em que se falava de futebol, apenas por ser mulher, como se isso me diminuísse ou, pior, me desabilitasse a falar sobre o assunto. É o famoso "lugar de fala" que, dentro do futebol, parece ser apenas dos homens!

A escrita de Djamila é fluida, o livro tem leitura rápida e traz reflexões profundas! Indico para todos, pois a conscientização é o primeiro passo para que a nossa sociedade possa finalmente mudar.

E você, já leu este livro ou outros do mesmo tema? O que achou? Conte-nos nos comentários!






12 de fevereiro de 2019

[Resenha] Libertada

LIBERTADA
Autora: Michelle Knight
Editora: Fontanar
Ano: 2014
Páginas: 192
Classificação: 5/5


Sinopse: Como Michelle Knight, uma jovem mantida em cativeiro durante uma década, conseguiu superar o passado?
Um relato comovente sobre como não perder a esperança e seguir em frente.
“No dia em que desapareci em 2002, pouca gente pareceu notar. Eu tinha 21 anos, era umajovem mãe que havia parado numa loja de conveniência, uma tarde, para pedir informações. Durante os 11 anos seguintes, fiquei trancafiada no inferno. Essa é a parte da minha história que talvez você já conheça. Há muito mais coisas que você não sabe.”
Michelle Knight foi raptada em 2002 por um motorista de ônibus escolar de Cleveland chamado Ariel Castro. Por mais de uma década, ela sofreu torturas inimagináveis nas mãos de seu sequestrador. Em 2003, Amanda Berry juntou-se a ela no cativeiro, seguida por Gina DeJesus em 2004. A fuga das três, em 6 de maio de 2013, foi notícia ao redor do mundo. Milhões de pessoas comovidas agora se perguntam: o que realmente aconteceu naquela casa, e como Michelle encontrou forças para sobreviver?
Mal saída de sua própria infância problemática, Michelle estava afastada da família e lutando para reaver a guarda do filho quando desapareceu. A polícia acreditava que ela havia fugido, por isso retirou seu nome da lista de pessoas desaparecidas 15 meses após o seu sumiço. Castro a atormentava com isso, lembrando que ninguém procurava por ela, que o mundo lá fora a esquecera. Mas Michelle não se deixava abater.
Comovente, chocante, e por fim triunfante, Libertada revela os detalhes da história de Michelle, incluindo os pensamentos e orações que a ajudaram a encontrar coragem para suportar suas inimagináveis circunstâncias e construir, a partir de agora, uma vida que valha a pena ser vivida. Ao compartilhar seu passado e seus esforços para criar um futuro, Michelle se torna a voz dos que não têm voz, e um poderoso símbolo de esperança para milhares de crianças e jovens que desaparecem todo ano.


Olá, pessoal do Pacote! Tudo bem? Como vocês sabem, gosto muito de livros que trazem relatos reais de como pessoas comuns venceram psicopatas, raptores e criminosos em geral e sobreviveram para contar a história.

Por indicação de uma amiga que entende o meu gosto por essas leituras, comecei a ler "Libertada" e, é com o coração na mão que venho contar para vocês um pouco do que Michelle enfrentou com Ariel Castro, seu raptor!

Nas primeiras páginas do livro, Michelle nos conta sobre sua infância e fala como sua vida sempre foi excepcionalmente difícil! Muito pobre e com pais que não tinham qualquer estrutura psicológica, ela sofreu inúmeros abusos e sempre teve que se preocupar com seus irmãos menores.

Na escola também não era fácil. Tendo em vista os reflexos daquela completa confusão emocional de casa, Michelle estava longe de ser uma boa aluna, pois faltava a muitas aulas e tinha nítida dificuldade em acompanhar o desenvolvimento dos demais alunos.

Várias omissões e escolhas erradas de seus pais a levaram às circunstâncias fáticas e emocionais que resultaram em seu sequestro, tema principal do livro.

Aos 21 anos, após aceitar uma carona de uma pessoa que lhe era de confiança, Michelle foi sequestrada.

Levada para o cativeiro, Michelle passou a ser espancada. Foi privada de alimento, banho, sono, integridade física, em fim, sua dignidade foi literalmente para o ralo.

Ariel Castro, raptor de Michelle, tinha uma personalidade muito complexa e, assim, a maldade sobressaía em todas as suas ações.

Além de destruir a autora fisicamente, falava o tempo todo com ela que ninguém a procurava, ou seja, minava a esperança dela com esses e diversos outros ataques psicológicos.

"Ele não apenas me estuprou do mesmo jeito que fizera no andar de cima, mas assassinou meu coração”

Algumas vezes, o ousado sequestrador recebia visitas em casa. Eu imaginei como era aquele momento para as raptadas: se fizessem algum barulho, dessem algum sinal, poderiam ser salvas. Mas e se as visitas não entendessem os acenos? Isso lhes custaria a vida!

Em vários pontos, Michelle menciona que os fatos que se seguiram são muito cruéis para se contar e eu pensava a cada página: O que diabos pode ser ainda mais grave que ser torturada física, sexual e psicologicamente?

Para piorar, Ariel sequestrou outras duas mulheres e as manteve no cativeiro junto dela. As três foram abusadas de todas as maneiras que se pode imaginar.

As outras duas mulheres sequestradas também lançaram um livro com os detalhes dos abusos que sofreram. "Hope: A Memoir of Survival in Cleveland", título em inglês, ganhou tradução no Brasil. Com o nome de "Esperança: Dez anos de cativeiro: um relato de superação em Cleveland", Amanda e Gina revelam todo o sadismo com o qual foram tratadas e como conseguiram se libertar desse psicopata!

O livro é narrado em primeira pessoa pela própria Michelle, que enfrenta sofrimento a todo tempo.

São muitas as partes complicadas de se ler. Fiquei embargada muitas vezes, cheguei a chorar diversas vezes e o meu estômago revirou muito em diversas passagens.

Michelle foi uma guerreira incansável que, contra tudo e contra todos, conseguiu sobreviver ao mais absoluto caos a que se pode submeter um ser humano. Por 10 anos, ela aguentou e conseguiu "não morrer".

"Como é maravilhoso ver a luz do sol entrando pela janela? Como é bom andar por aí sem uma corrente pesada presa ao punho ou ao tornozelo? É incrível."

Baseado no livro, foi lançado o filme "Sequestros em Cleveland", para quem tiver estômago para assistir!

Após tudo isso, escreveu o livro, que se tornou um dos que mais me marcou em toda a minha vida.

Recomendo a quem curte esse tipo de leitura.


Essa leitura faz parte do desafio #12livrospara2019 e também do Projeto #leiamulheres, já explicados aqui no blog.

E você, já leu este livro ou outros do mesmo tema? O que achou? Conte-nos nos comentários!












8 de fevereiro de 2019

[Filme] Nada a esconder


Gênero: Comédia dramática
Ano: 2018
Elenco: Bérénice Bejo, Stéphane De Groodt, Suzanne Clément, Doria Tillier, Grégory Gadebois, Roschdy Zem, Vincent Elbaz
Classificação: 4/5


Dirigido por Fred Cavayé, o filme conta a história de uma turma de amigos que, durante um jantar, decidem jogar uma espécie de "jogo da verdade" moderno.

Nesse jogo, todos colocam seus celulares em cima da mesa e têm que atender, ler e responder a mensagens, aplicativos e e-mails em viva-voz, na frente de todos os amigos.

O que você esconde em seu celular? Quantos segredos podem ser descobertos com uma olhada na tela? Você é mesmo aquele pessoa que responde ao toque do seu celular?



A cada toque, vibração ou piscar de telas de um dos celulares, a tensão toma conta do ambiente e o dono do aparelho move céus e terra para sair das "saias justas" que o jogo impõe.

Muitas são as reflexões propostas pelo filme. Vale a pena colocar (literalmente) em jogo suas relações afetivas e de amizade por outras relações construídas através do celular?

O filme tem muitos pontos dramáticos, algumas cenas de suspense e outras onde o riso realmente corre solto. Momentos de muita sensibilidade também me comoveram ao longo da história.



A dependência das pessoas pelo celular também é um ponto importante no filme: como cada um se enxerga e enxerga o outro, nas relações? Qual o grau de importância das pessoas em sua vida? Quem está fisicamente distante é mais interessante (ou está mais perto) que quem está ao seu lado?

A cumplicidade, a lealdade acima de tudo, a decisão de ficar quando se poderia fugir, o medo do preconceito, a discriminação hipotética (que se torna real em dado momento): o aprendizado que esse filme veio reforçar para mim é o de que o segredo das relações está nos detalhes!



Basicamente, o filme tem apenas o cenário do jantar e os amigos reunidos em torno da mesa, no apartamento do casal anfitrião.

Por fim, o filme traz um efeito importantíssimo para o espectador: e se nenhum dos amigos tivesse topado aquela brincadeira? Como seriam seus destinos? Vale a pena continuarem suas vidas baseadas em omissões?




O melhor de tudo é que "Nada a esconder" está disponível na Netflix! Indico a todos os que curtem um bom filme e garanto que tratá ótimas reflexões!

Você já assistiu? Não deixe de comentar abaixo!








5 de fevereiro de 2019

Livros e Esmaltes 3/2019


Olá, queridos leitores!

Hoje é dia daquele desafio lindo, super colorido e cheio de boas indicações: o nosso esmaltes e livros, que em 2019 está repaginado!

Lembro a vocês que o desafio tem parceria com os blogs Mundinho da Hanna e Mãe Literatura. Assim,  como já explicado anteriormente, deixaremos um mural aberto no Blog Mãe Literatura, e, no decorrer do mês, conforme eu trocar de esmaltes e de leituras, farei o post aqui e atualizarei as combinações nos dois blogs.

Para você participar, basta entrar no link para postar suas fotos. Caso prefira, é só enviar a foto para nosso e-mail (pacoteliterario@gmail.com) e postaremos a sua combinação de esmaltes e livros!

Vamos às escolhas de esmaltes e livros???



Dessa vez escolhi o esmalte 212 Papoula, da marca Foup. Amei a cor super viva, gostei da cobertura logo quando passamos. Mas não achei boa a durabilidade.


Os livros foram o maravilhoso Quem tem medo do feminismo negro?, que amei e As doze tribos de Hattie, cuja leitura está em andamento e me agrada bastante.

Em breve trarei as resenhas para vocês!

O que acharam das minhas escolhas? A ideia é sempre juntar nossas paixões por livros e esmaltes nos posts! Não deixe de conferir as letras e cores das queridas Hanna (Mundinho da Hanna) e Claudia (Mãe Literatura)!

Em breve retorno com mais livros e esmaltes!






 


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